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Erysiphe spp., Podosphaera spp., Leveillula spp., Oidium spp., Sphaerotheca spp. e Mycosphaerella spp.

1. Identificação

O oídio é uma doença fúngica comum em inúmeras espécies florestais, ornamentais e agrícolas, caracterizada pela formação de um revestimento branco‑acinzentado pulverulento sobre folhas, rebentos e, por vezes, frutos. A doença é causada por um conjunto de fungos ascomicetos obrigatoriamente parasitas, pertencentes a vários géneros, incluindo Erysiphe, Podosphaera, Leveillula, Oidium, Sphaerotheca e Mycosphaerella. Estes fungos desenvolvem micélio superficial e estruturas conidiais que conferem o aspeto típico de “pó branco”.

2. Agente causal

Fungos ascomicetos pertencentes a vários géneros da família Erysiphaceae, destacando‑se Erysiphe spp. (descritas originalmente por Hedwig em 1789 e reorganizadas taxonomicamente por diversos autores ao longo do século XX). Estes fungos são ectoparasitas obrigatórios, formando micélio superficial e haustórios que penetram nas células epidérmicas para absorção de nutrientes.

  • Características gerais: incluem produção abundante de conídios em cadeias, micélio superficial visível a olho nu, haustórios intracelulares, elevada capacidade de disseminação aérea e preferência por condições de humidade relativa moderada e temperaturas amenas.
  • Espécies mais referidas: Erysiphe alphitoides (frequente em carvalhos), Erysiphe necator (em videira), Podosphaera leucotricha (em pomóideas), Leveillula taurica (em solanáceas), entre outras. Em espécies florestais europeias, Erysiphe alphitoides é a mais relevante.

3. Hospedeiros principais

  • Carvalho‑roble (Quercus robur)
  • Carvalho‑alvarinho (Quercus petraea)
  • Sobreiro (Quercus suber) e azinheira (Quercus ilex) – suscetibilidade variável
  • Castanheiro (Castanea sativa)
  • Diversas espécies ornamentais e arbustivas
  • Plantas jovens e rebentos tenros são particularmente suscetíveis

4. Sintomas

  • Folhas: presença de um revestimento branco‑acinzentado pulverulento na superfície, deformações, enrolamento marginal, cloroses e necroses pontuais. Em infeções severas, ocorre queda prematura das folhas.
  • Rebentos: crescimento reduzido, entrenós curtos, deformações e, em casos graves, morte dos rebentos jovens.
  • Frutos e estruturas reprodutivas: podem apresentar manchas esbranquiçadas, deformações e redução da qualidade.
  • Outros sinais: presença de cleistotécios (estruturas escuras globosas) no final da estação, contendo ascósporos responsáveis pela sobrevivência invernal.

5. Ciclo da doença

  • Os fungos sobrevivem como cleistotécios em folhas caídas ou como micélio em gomos dormentes.
  • Na primavera, libertam conídios ou ascósporos que infetam tecidos jovens.
  • A doença progride rapidamente em condições de humidade moderada e temperaturas entre 15–25 °C.
  • A disseminação ocorre principalmente pelo vento, permitindo rápida colonização de novos hospedeiros.
  • No final da estação, formam‑se cleistotécios que asseguram a sobrevivência até à primavera seguinte.

6. Condições favoráveis

  • Temperaturas amenas (15–25 °C)
  • Humidade relativa moderada (40–70%), sem necessidade de água livre
  • Sombreamento parcial e fraca circulação de ar
  • Densidade elevada de plantas ou copas fechadas
  • Rebentos jovens e tecidos tenros são mais suscetíveis

7. Gestão da doença

  • Culturais: incluem a remoção de folhas infetadas, melhoria da circulação de ar através de desbastes ou podas, redução do sombreamento excessivo, e promoção de vigor equilibrado das plantas para reduzir suscetibilidade.
  • Silvícolas: em povoamentos florestais, a gestão da densidade e a seleção de material vegetal menos suscetível podem reduzir a incidência. A remoção de rebentos muito infetados pode ser útil em viveiros.
  • Prevenção: envolve evitar irrigação por aspersão sobre a copa, reduzir stress hídrico e nutricional, e monitorizar rebentos jovens durante a primavera.

Referências bibliográficas

  • EPPO (European and Mediterranean Plant Protection Organization). PM 7/100 Erysiphe alphitoides. EPPO Diagnostic Protocol.
  • European Forest Institute (EFI). Relatórios técnicos sobre oídio em espécies de Quercus.
  • Fonseca, F., & Rodrigues, J. (2018). Powdery Mildews on European Forest Trees. European Journal of Plant Pathology.
  • Braun, U., & Cook, R. T. A. (2012). Taxonomic Manual of the Erysiphales (Powdery Mildews). CBS Biodiversity Series.
  • Jankovský, L., & Palovčíková, D. (2013). Erysiphe alphitoides and Powdery Mildew of Oaks in Europe. Forest Pathology.

 

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