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Rubus occidentalis

1. Identificação e origem

A framboesa preta (Rubus occidentalis L.), pertencente à família Rosaceae, é originária da América do Norte, onde ocorre naturalmente desde as regiões dos Grandes Lagos até aos Apalaches e ao Nordeste dos Estados Unidos. O género Rubus é extremamente diverso, mas R. occidentalis destaca‑se como a principal espécie produtora de framboesa preta verdadeira, distinta das framboesas vermelhas (Rubus idaeus) e dos híbridos interespécies. A espécie tem sido amplamente utilizada em programas de melhoramento devido à sua resistência a doenças e ao elevado teor de compostos bioativos.

2. Importância económica

A framboesa preta é valorizada pelo sabor intenso, cor escura rica em antocianinas e elevado valor antioxidante. É utilizada para consumo fresco, congelados, compotas, sumos e produtos nutracêuticos. A produção comercial é mais limitada do que a de framboesa vermelha, mas tem crescido em mercados especializados nos EUA, Canadá e Europa, onde é apreciada como fruto premium.

3. Caracterização botânica

Arbusto perene com sistema radicular duradouro e caules aéreos bienais, semelhantes aos de R. idaeus, mas geralmente mais arqueados e com maior densidade de acúleos. As folhas são compostas, com 3–5 folíolos ovais e margens serradas. As flores são brancas e hermafroditas. O fruto é um agregado de drupéolas que se separa do receptáculo no momento da colheita, formando um fruto oco, de coloração negra brilhante quando maduro.

4. Exigências edafoclimáticas

Prefere climas temperados frescos, com invernos suficientemente frios para cumprir a dormência. Tolera melhor o calor do que R. idaeus, mas é sensível à seca prolongada. Exige solos profundos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e com pH entre 5,5 e 6,5. É muito sensível ao encharcamento e beneficia de rega regular e controlada.

5. Principais pragas

  • Drosófila‑de‑asa‑manchada (Drosophila suzukii): perfurações e deterioração dos frutos.
  • Ácaros (Tetranychus urticae): cloroses e perda de vigor.
  • Afídeos (Amphorophora spp.): enrolamento foliar e transmissão de vírus.
  • Gorgulhos (Otiorhynchus spp.): danos radiculares e desfolha.
  • Mosca‑da‑fruta (Ceratitis capitata): ataques ocasionais em regiões mediterrânicas.

6. Principais doenças

  • Podridão‑cinzenta (Botrytis cinerea): principal doença em framboesas, afeta flores e frutos.
  • Cancro‑do‑caule (Didymella applanata): necroses e morte de varas.
  • Antracnose (Elsinoë veneta): lesões em caules e folhas, comum em R. occidentalis.
  • Podridão das raízes (Phytophthora fragariae var. rubi): podridão radicular em solos mal drenados.
  • Vírus (RBDV, RLMV): mosaicos, cloroses e redução da produtividade.

7. Gestão cultural geral

Inclui a escolha de variedades adaptadas ao clima local, instalação em solos bem drenados, condução em sistema de tutoragem, poda anual adequada ao ciclo bienal dos caules, rega frequente mas controlada, adubação equilibrada, monitorização de pragas e doenças e colheita cuidadosa para preservar a integridade dos frutos. A ventilação da copa e o controlo da humidade são essenciais para reduzir doenças fúngicas.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database. Rubus occidentalis – pests and diseases.
  • CABI Invasive Species Compendium. Rubus occidentalis – datasheets.
  • Finn, C. E. (2008). Black raspberries. In: G. R. Beecher (Ed.), Berry Fruit: Value‑Added Products for Health Promotion (pp. 177–196). CRC Press.
  • Weber, C. A. (2003). Black raspberry breeding and genetics. Acta Horticulturae, 626, 83–90.
  • Dossett, M., & Finn, C. E. (2010). Genetic improvement of black raspberry. Journal of the American Society for Horticultural Science, 135, 35–43.

 

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