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Solanum aethiopicum

1. Identificação e origem

O jiloeiro (Solanum aethiopicum L.), pertencente à família Solanaceae, é uma espécie originária de África, onde é amplamente cultivada como hortícola tradicional. É conhecido por vários nomes regionais, incluindo “jiló africano”, “garden egg”, “nakati” e “gilo”. A espécie apresenta grande diversidade morfológica, com grupos varietais distintos utilizados para fruto, folha ou ambos.

2. Importância económica

O jiloeiro é cultivado para consumo fresco, culinária tradicional, processamento e venda em mercados locais. Os frutos, de sabor amargo característico, são consumidos cozidos, grelhados ou em molhos. As folhas são utilizadas como hortaliça em várias regiões africanas. A cultura tem importância crescente em mercados étnicos na Europa e América. É uma espécie rústica, tolerante ao calor e a solos pobres, sendo uma alternativa interessante para agricultura familiar.

3. Caracterização botânica

Planta herbácea ou subarbustiva, anual ou perene de curta duração, com 0,5–1,5 m de altura. Os caules são eretos, ramificados, podendo apresentar espinhos. As folhas são grandes, ovadas, com margens onduladas. As flores são brancas ou violáceas, típicas das solanáceas. Os frutos variam amplamente em forma e cor: globosos, ovais ou achatados, verdes, brancos, laranja ou vermelhos, dependendo do grupo varietal. O sistema radicular é profundo e bem adaptado a condições de seca moderada.

4. Exigências edafoclimáticas

Prefere climas tropicais e subtropicais quentes, com temperaturas ideais entre 22–30 °C. Tolera calor intenso melhor do que a beringela comum (Solanum melongena). Exige solos bem drenados, de textura média, ricos em matéria orgânica, com pH entre 5,5 e 6,8. É sensível ao encharcamento e a geadas. A cultura responde bem a rega regular, sobretudo durante a frutificação.

5. Principais pragas

  • Mosca‑branca (Bemisia tabaci, Trialeurodes vaporariorum): sucção de seiva e transmissão de vírus.
  • Afídeos (Aphis gossypii, Myzus persicae): enrolamento foliar e melada.
  • Ácaros (Tetranychus spp.): cloroses e teias finas em condições secas.
  • Lagartas (Noctuidae): perfurações em folhas e frutos.
  • Nemátodos (Meloidogyne spp.): galhas radiculares e redução do vigor.

6. Principais doenças

  • Murchidão por Fusarium (Fusarium oxysporum): amarelecimento e morte de plantas.
  • Mancha foliar (Cercospora spp.): lesões circulares e queda prematura das folhas.
  • Oídio (Leveillula taurica, Erysiphe spp.): revestimento branco e redução da fotossíntese.
  • Podridões radiculares (Phytophthora spp., Pythium spp.): murchidão e apodrecimento em solos húmidos.
  • Vírus (TYLCV, CMV): mosaicos, deformações e redução da produção.

7. Gestão cultural geral

Inclui a escolha de variedades adaptadas ao clima local, sementeira em viveiro e transplante quando as plantas atingem 10–15 cm, plantação em solos bem drenados, rega regular sem encharcamento, adubação equilibrada e monitorização de pragas e doenças. A rotação de culturas com espécies não hospedeiras é essencial para reduzir nemátodos e doenças do solo. A colheita é realizada quando os frutos atingem o tamanho e a cor desejados, antes de perderem firmeza.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database. Solanum aethiopicum – pests and diseases.
  • CABI Invasive Species Compendium. Solanum aethiopicum – datasheets.
  • Lester, R. N., & Daunay, M. C. (2003). African eggplants. In: Chakrabarty, T., et al. (Eds.), Solanaceae: Biology and Utilization. CABI.
  • Schippers, R. R. (2000). African Indigenous Vegetables. In: Natural Resources Institute.
  • Prohens, J., et al. (2012). Eggplant and relatives. In: Kole, C. (Ed.), Wild Crop Relatives. Springer.

 

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