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Spinacia oleracea

1. Identificação e origem

O espinafre (Spinacia oleracea L.), pertencente à família Amaranthaceae (anteriormente Chenopodiaceae), é originário da Ásia Central, com domesticação atribuída à antiga Pérsia. A cultura difundiu‑se pela Ásia e Europa, tornando‑se um hortícola de grande importância em regiões temperadas.

2. Importância económica

O espinafre é uma das hortícolas de folha mais consumidas a nível mundial, valorizado pelo seu elevado teor nutricional e pela forte procura nos mercados fresco, de IV gama e de congelação. Países como China, EUA, Turquia, Itália e Espanha destacam‑se na produção e exportação.

3. Caracterização botânica

Planta herbácea anual, de porte baixo, formando uma roseta basal de folhas simples, alternas, de forma variável (oval, lanceolada ou triangular), textura tenra e coloração verde intensa. O caule permanece curto na fase vegetativa, alongando‑se na fase reprodutiva. As flores são pequenas, unissexuais, agrupadas em inflorescências discretas. O fruto é um aquénio pequeno e seco.

4. Exigências edafoclimáticas

O espinafre adapta‑se a climas temperados frescos, sendo sensível a temperaturas elevadas, que induzem o espigamento precoce. Prefere solos férteis, profundos, bem drenados, com boa disponibilidade de matéria orgânica e pH ligeiramente ácido a neutro. Exige humidade constante, mas é sensível ao encharcamento e a solos compactados.

5. Principais pragas

  • Pulgões (Aphis fabae, Myzus persicae): deformações foliares e transmissão de vírus.
  • Mosca‑da‑beterraba (Pegomya hyoscyami): galerias nas folhas jovens.
  • Lagartas (Noctuidae): perfurações e consumo foliar.
  • Ácaros (Tetranychus urticae): cloroses e perda de vigor.
  • Nemátodos das galhas (Meloidogyne spp.): redução do desenvolvimento radicular e do crescimento vegetativo.

6. Principais doenças

  • Míldio (Peronospora effusa): principal doença da cultura; manchas amarelas e esporulação cinzenta na página inferior.
  • Oídio (Erysiphe spp.): revestimento esbranquiçado nas folhas.
  • Antracnose (Colletotrichum dematium): lesões escuras e necroses foliares.
  • Podridões radiculares (Pythium spp., Rhizoctonia solani): morte de plântulas e falhas na instalação.
  • Vírus (CMV, BYMV): mosaicos, deformações e redução do vigor.

7. Gestão cultural geral

Inclui a seleção de variedades adaptadas à época de cultivo e tolerantes ao míldio, preparação de solos bem drenados, adubação equilibrada, rega regular sem encharcamento, controlo de infestantes, monitorização frequente de pragas e doenças e colheita cuidadosa para preservar a qualidade das folhas. A adoção de práticas de gestão integrada é essencial para garantir produtividade e qualidade comercial.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database. Spinacia oleracea – pests and diseases.
  • CABI Invasive Species Compendium. Spinacia oleracea – datasheets.
  • Koike, S. T., et al. (2007). Compendium of Spinach Diseases and Pests. APS Press.
  • Morelock, T. E., & Correll, J. C. (2008). Spinach. In: J. Prohens & F. Nuez (Eds.), Vegetables I: Asteraceae, Brassicaceae, Chenopodicaceae, and Cucurbitaceae (pp. 189–218). Springer.
  • Leskovar, D. I., & Kolenda, K. (2020). Spinach Production and Management. Horticulturae.

 

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