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    Morus spp.

    1. Identificação e origem

    Morus spp. é um género da família Moraceae que inclui várias espécies conhecidas como amoreiras, destacando‑se Morus alba L., Morus nigra L. e Morus rubra L.. A origem varia conforme a espécie: M. alba é nativa da Ásia Oriental, M. nigra da Ásia Ocidental e M. rubra da América do Norte. As amoreiras são cultivadas há milénios para produção de frutos (amoras), madeira e, sobretudo, como alimento para o bicho‑da‑seda (Bombyx mori).

    2. Importância económica

    A amoreira tem importância económica em três áreas principais:

    • Fruticultura: produção de amoras para consumo fresco, transformação (compotas, sumos, vinagres) e pastelaria.
    • Sericicultura: Morus alba é a base alimentar do bicho‑da‑seda, sendo essencial para produção de seda natural.
    • Madeira e usos ornamentais: madeira resistente e de boa trabalhabilidade; árvores amplamente usadas em alinhamentos e sombreamento.

    A crescente procura por frutos ricos em antioxidantes tem aumentado o interesse comercial.

    3. Caracterização botânica

    Árvores ou arbustos de porte médio, com copa arredondada e folhas simples, alternas, de margens serradas e frequentemente lobadas (sobretudo em M. alba). As flores são pequenas, unissexuais, agrupadas em inflorescências cilíndricas. O fruto é uma infrutescência composta (sorose), carnuda, de coloração variável (branca, vermelha, roxa ou negra). A reprodução é feita por semente, estaca ou enxertia, dependendo da espécie e do objetivo produtivo.

    4. Exigências edafoclimáticas

    As amoreiras adaptam‑se bem a climas temperados e mediterrânicos, tolerando calor e períodos de seca moderada. Preferem solos profundos, férteis e bem drenados, com pH entre 5,5–7,5. Morus alba é mais tolerante ao frio e à seca; M. nigra prefere ambientes mais húmidos e solos ricos. São sensíveis a encharcamentos prolongados.

    5. Principais pragas

    • Afídeos (Aphididae): deformações e produção de melada.
    • Cochonilhas (Coccoidea): sucção de seiva e declínio vegetativo.
    • Mosca‑da‑fruta: Ceratitis capitata pode atacar frutos maduros.
    • Lagartas defoliadoras: diversas espécies de lepidópteros.
    • Ácaros (Tetranychidae): prateamento e redução da área fotossintética.

    6. Principais doenças

    • Oídio: Phyllactinia corylea e Uncinula spp. provocam micélio branco em folhas.
    • Antracnose: Colletotrichum spp. causa manchas e necroses foliares.
    • Cancros: Botryosphaeria spp. e outros fungos oportunistas.
    • Podridões radiculares: Armillaria spp. e Phytophthora spp. em solos mal drenados.
    • Bacterioses ocasionais: manchas foliares e necroses em condições húmidas.

    7. Gestão cultural geral

    Inclui a utilização de plantas certificadas, plantação em solos bem drenados, poda de formação e limpeza, controlo de infestantes e monitorização de pragas e doenças. A irrigação regular melhora o calibre e a qualidade dos frutos, embora a espécie seja relativamente rústica. A remoção de ramos secos ou infetados e a manutenção de boa ventilação reduzem problemas sanitários. A colheita deve ser realizada quando os frutos atingem coloração e textura características da maturação.


    Referências bibliográficas

    • EPPO Global Database – Morus spp..
    • CABI – Crop Factsheets – Morus spp..
    • FAO – Documentos técnicos sobre fruteiras rústicas.
    • Orwa, C. et al. (2009). Agroforestree Database: Morus species.
    • Ercisli, S. & Orhan, E. (2007). Chemical composition of white (Morus alba), red (Morus rubra) and black (Morus nigra) mulberry fruits. Food Chemistry.
    • Poljak, I. et al. (2017). Morphological and genetic diversity of mulberry species. Scientia Horticulturae.

     

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