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Nicotiana tabacum

1. Identificação e origem

O tabaco (Nicotiana tabacum L.) é uma espécie herbácea anual da família Solanaceae, cultivada principalmente pelas suas folhas, utilizadas na indústria tabaqueira. A espécie resulta de hibridação natural entre Nicotiana sylvestris Speg. & Comes e Nicotiana tomentosiformis Goodsp., ocorrida na América do Sul. A domesticação e difusão ocorreram inicialmente entre povos indígenas das Américas, sendo posteriormente disseminada globalmente após o século XVI.

2. Importância económica

O tabaco é uma cultura de elevado valor económico em diversos países, sobretudo para produção de cigarros, charutos, tabaco de cachimbo e produtos industriais derivados da nicotina. A cultura gera emprego intensivo em operações manuais (transplantação, colheita, cura). Em alguns sistemas agrícolas, integra rotações com culturas alimentares, embora apresente exigências elevadas em fertilidade e mão‑de‑obra.

3. Caracterização botânica

O tabaco é uma planta anual, com 1–2 m de altura, caule ereto e folhas grandes, ovadas a elípticas, alternas, inteiras e frequentemente sésseis. As flores são tubulares, rosadas a avermelhadas, reunidas em panículas terminais. O fruto é uma cápsula contendo numerosas sementes pequenas. O sistema radicular é profundo e ramificado, permitindo boa exploração do solo. As folhas acumulam alcaloides, principalmente nicotina, sintetizada nas raízes e translocada para a parte aérea.

4. Exigências edafoclimáticas

O tabaco adapta-se a climas quentes e moderadamente húmidos, com temperaturas ótimas entre 20 e 30 °C. É sensível a geadas e a ventos fortes. Prefere solos leves a franco‑arenosos, bem drenados, com pH entre 5,5 e 6,5. Solos excessivamente férteis ou ricos em azoto reduzem a qualidade da folha. A cultura exige boa disponibilidade hídrica, mas é sensível ao encharcamento. A cura pós-colheita (ar, estufa, fogo ou sol) é determinante para a qualidade final.

5. Principais pragas

  • Pulgão‑do‑pêssego (Myzus persicae) — sucção de seiva e transmissão de viroses
  • Mosca‑branca (Bemisia tabaci) — sucção de seiva e transmissão de vírus
  • Tripes (Thrips tabaci) — danos em folhas jovens e transmissão de vírus
  • Lagartas (Helicoverpa armigera, Spodoptera littoralis) — perfurações e desfolha
  • Nemátodos das galhas (Meloidogyne spp.) — galhas radiculares e redução do vigor

6. Principais doenças

  • Mosaico do tabaco (TMV, Tobacco mosaic virus) — mosaicos, deformações e redução da produção
  • Murchidão bacteriana (Ralstonia solanacearum) — murchidão irreversível e morte de plantas
  • Podridão negra (Phytophthora nicotianae) — necroses radiculares e morte de plântulas
  • Oídio (Golovinomyces cichoracearum) — revestimento branco e redução da fotossíntese
  • Alternariose (Alternaria alternata, A. longipes) — manchas foliares e necroses
  • Podridões radiculares (Rhizoctonia solani, Fusarium spp.) — tombamento e declínio

7. Gestão cultural geral

A gestão do tabaco exige seleção de cultivares adaptados ao tipo de cura e ao mercado final. A rotação de culturas é essencial para reduzir pressão de doenças do solo e de nemátodos. A fertilização deve ser equilibrada, evitando excesso de azoto que prejudica a qualidade da folha. A monitorização de pulgões, mosca‑branca e tripes é crítica devido ao risco de viroses. O controlo de infestantes nas fases iniciais é determinante para o estabelecimento da cultura. A colheita é realizada por folhas, em várias passagens, seguida de cura adequada ao tipo de tabaco produzido.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Nicotiana tabacum
  • CABI – Crop Protection Compendium – Nicotiana tabacum
  • Davis, D. L., & Nielsen, M. T. (1999). Tobacco: Production, Chemistry and Technology. Blackwell Science.
  • Sisson, V. A., et al. (2019). Advances in tobacco breeding. Crop Science, 59, 1–14.
  • Wang, H., et al. (2021). Genetic improvement and molecular biology of tobacco. Plant Biotechnology Journal, 19, 2151–2167.

 

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