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Fraxinus spp.

1. Identificação e origem

O freixo pertence ao género Fraxinus spp., integrado na família Oleaceae, que inclui cerca de 45–65 espécies distribuídas predominantemente pelo Hemisfério Norte. As espécies mais relevantes na Europa são Fraxinus excelsior L. (freixo‑comum) e Fraxinus angustifolia Vahl (freixo‑de‑folha‑estreita), ambas nativas de grande parte da Europa e regiões adjacentes. O género também inclui espécies norte‑americanas como Fraxinus americana L. e Fraxinus pennsylvanica Marshall, amplamente utilizadas em arborização urbana. Os freixos ocupam habitats variados, desde florestas ripícolas a zonas montanhosas, sendo valorizados pela madeira de elevada qualidade e pela importância ecológica.

2. Importância económica

O freixo é apreciado pela madeira resistente, elástica e de grande valor comercial, utilizada em mobiliário, carpintaria, instrumentos desportivos e aplicações estruturais. Em arborização urbana, destaca‑se pela rusticidade e porte elegante. Em ecossistemas naturais, desempenha funções essenciais na estabilização de margens, sombreamento e suporte à biodiversidade. A produção tem sido afetada na Europa pela doença da seca‑do‑freixo, com impacto económico significativo.

3. Caracterização botânica

Árvores caducifólias de porte médio a grande (20–35 m), com copa ampla e tronco direito. As folhas são opostas, compostas, imparipinadas, com 7–15 folíolos lanceolados. As flores são pequenas, discretas, frequentemente sem pétalas, podendo ser dióicas ou monoicas conforme a espécie. Os frutos são sâmaras alongadas, dispersas pelo vento. O sistema radicular é profundo e vigoroso, adaptado a solos frescos.

4. Exigências edafoclimáticas

Prefere climas temperados, com boa disponibilidade hídrica e solos profundos, frescos e bem drenados. F. excelsior tolera solos mais húmidos e frios, enquanto F. angustifolia adapta‑se melhor a ambientes mediterrânicos, com verões secos. O freixo é sensível a encharcamentos prolongados e a solos muito compactados. Necessita de boa luminosidade para crescimento ótimo.

5. Principais pragas

  • Agrilus planipennis (esmeralda‑do‑freixo): escaravelho xilófago altamente destrutivo (presente na América do Norte e Ásia; vigilância na Europa).
  • Pulgões (Aphididae): sucção de seiva e melada.
  • Lagartas defoliadoras (Lepidoptera): consumo foliar.
  • Cochonilhas (Coccoidea): sucção de seiva e declínio gradual.
  • Percevejos (Heteroptera): danos foliares ocasionais.

6. Principais doenças

  • Seca ou Murchidão‑do‑freixo (Hymenoscyphus fraxineus): doença invasiva grave, causando necroses, morte de ramos e declínio generalizado.
  • Cancros lenhosos (fungos oportunistas): associados a stress hídrico ou feridas.
  • Podridões radiculares (Armillaria spp.): declínio e morte de árvores enfraquecidas.
  • Oídio (Erysiphe fraxini): revestimento esbranquiçado nas folhas, comum em ambientes secos.

7. Gestão cultural geral

Inclui a seleção de espécies e proveniências adaptadas ao clima local, plantação em solos profundos e bem drenados, manutenção de rega adequada em fases iniciais, monitorização de pragas e doenças — especialmente H. fraxineus — e podas de formação e segurança. Em arborização urbana, deve evitar‑se compactação do solo e assegurar boa disponibilidade hídrica. Em povoamentos florestais, recomenda‑se diversificação de espécies para reduzir riscos sanitários.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database. Fraxinus spp. – pests and diseases.
  • CABI Invasive Species Compendium. Fraxinus excelsior, F. angustifolia – datasheets.
  • Pautasso, M., et al. (2013). Ash dieback: A review of the disease and its impact in Europe. Biological Conservation.
  • Mitchell, R. J., et al. (2014). Ash dieback in Europe: Impacts and management. Forestry.
  • Thomas, P. A. (2016). Biology and ecology of European ash (Fraxinus excelsior). Journal of Ecology.

 

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