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    Prunus persica

    1. Identificação e origem

    O pessegueiro [Prunus persica (L.) Batsch] é uma espécie arbórea da família Rosaceae, originária da China, onde foi domesticado há vários milénios. A cultura difundiu‑se pela Ásia Central, Médio Oriente e Mediterrâneo, sendo atualmente uma das principais fruteiras de caroço em regiões de clima temperado. Em Portugal, é cultivado sobretudo no Alentejo, Ribatejo, Oeste e Beira Interior.

    2. Importância económica

    O pessegueiro tem elevada importância económica no setor frutícola, com produção destinada ao consumo em fresco e à indústria (compotas, caldas, sumos). A cultura apresenta ciclos produtivos curtos e elevada rentabilidade, mas exige gestão fitossanitária rigorosa devido à suscetibilidade a várias pragas e doenças, especialmente em condições de humidade elevada.

    3. Caracterização botânica

    Árvore caducifólia de porte médio, com 3–4 m de altura, apresentando copa arredondada ou em vaso. As folhas são lanceoladas, serradas e glabras. As flores são rosadas, solitárias ou em pares, surgindo antes da rebentação foliar. O fruto é uma drupa carnuda, com epiderme pubescente (pêssego) ou glabra (nectarina), apresentando grande variabilidade em cor, textura e firmeza. O caroço é lenhoso e contém uma semente amarga.

    4. Exigências edafoclimáticas

    O pessegueiro adapta‑se a climas temperados, necessitando de horas de frio para uma boa indução floral. É sensível a geadas tardias durante a floração. Prefere solos bem drenados, de textura franca a franco‑arenosa, com pH entre 6,0 e 7,5. É intolerante ao encharcamento e à salinidade. A rega regular é essencial em regiões de verão quente e seco, garantindo calibres adequados.

    5. Principais pragas

    • Bichado‑da‑fruta (Cydia pomonella): galerias nos frutos
    • Traça‑oriental‑do‑pessegueiro (Grapholita molesta): perfurações em rebentos e frutos
    • Broca-dos-ramos-do-pessegueiro (Anarsia lineatella): galerias em rebentos jovens e danos internos nos frutos
    • Mosca‑da‑fruta (Ceratitis capitata): oviposição e podridões
    • Pulgões (Aphididae): enrolamento foliar e transmissão de viroses
    • Ácaros (Tetranychus urticae, Panonychus ulmi): cloroses e necroses foliares
    • Tripes (Thysanoptera): lesões foliares e cicatrizes nos frutos
    • Cochonilhas (Diaspididae e Coccidae): sucção de seiva e fumagina
    • Nemátodos (Meloidogyne spp.): galhas radiculares e declínio vegetativo

    6. Principais doenças

    • Lepra do pessegueiro (Taphrina deformans): deformações foliares e queda precoce
    • Moniliose (Monilinia fructicola, M. laxa): podridões dos frutos e cancros
    • Oídio (Podosphaera pannosa): manchas brancas e redução da fotossíntese
    • Cancros (Cytospora spp.): necroses e morte de ramos
    • Podridões radiculares (Phytophthora spp.): murchidão e declínio
    • Vírus da sharka (PPV): manchas anelares e desvalorização comercial

    7. Gestão cultural geral

    A gestão do pessegueiro inclui a escolha de cultivares adaptadas às horas de frio da região e porta‑enxertos tolerantes a nemátodos e solos pesados. A poda de formação e frutificação é essencial para garantir boa iluminação da copa e calibres adequados. A rega deve ser regular, evitando oscilações hídricas que afetam a qualidade dos frutos. O controlo de doenças como lepra e moniliose exige tratamentos preventivos e boa ventilação da copa. A colheita deve ser realizada no ponto de maturação adequado ao destino comercial.


    Referências bibliográficas

    • EPPO Global Database – Prunus persica
    • CABI – Crop Protection Compendium – Prunus persica
    • Layne, D. R., et al. (2019). Peach production systems. Horticultural Reviews.
    • FAO (2020). Temperate Fruit Production Manual.
    • Byrne, D. H., et al. (2012). Peach Breeding and Genetics. Springer.
    • Bassi, D., et al. (2015). Advances in peach orchard management. Acta Horticulturae.

     

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