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Brassica rapa

1. Identificação e origem

O nabo (Brassica rapa L.) é uma espécie hortícola da família Brassicaceae, cultivada desde a Antiguidade na Europa e Ásia. Acredita‑se que tenha sido domesticado na região do Mediterrâneo Oriental e Ásia Ocidental, difundindo‑se posteriormente por toda a Europa. Inclui diversos grupos varietais utilizados para produção de raiz, folhas ou ambos.

2. Importância económica

O nabo é utilizado para consumo humano (raízes e folhas), alimentação animal (forragem verde, silagem e pastoreio) e como cultura de cobertura em sistemas de conservação do solo. Em Portugal, é cultivado sobretudo em pequenas e médias explorações, integrando rotações hortícolas e sistemas tradicionais. A nível europeu, destaca‑se pela rusticidade, ciclo curto e baixo custo de produção.

3. Caracterização botânica

Planta herbácea anual ou bienal, com raiz tuberosa globosa ou alongada, de cor branca, amarela ou roxa, consoante a cultivar. As folhas são liradas ou inteiras, formando uma roseta basal. O caule floral surge no segundo ano, podendo atingir 60–120 cm. As flores são amarelas, típicas das Brassicaceae, reunidas em cachos. O fruto é uma síliqua contendo várias sementes pequenas e esféricas. Existe grande variabilidade morfológica entre cultivares, tanto na forma e cor da raiz como no vigor vegetativo.

4. Exigências edafoclimáticas

O nabo adapta‑se bem a climas temperados, tolerando frio moderado e geadas ligeiras. Prefere temperaturas entre 10–20 °C. Desenvolve‑se melhor em solos soltos, profundos, bem drenados e ricos em matéria orgânica, com pH entre 6,0 e 7,5. É sensível ao encharcamento e à compactação, que prejudicam o desenvolvimento da raiz. Requer humidade regular, sobretudo durante a fase de engrossamento da raiz.

5. Principais pragas

  • Mosca‑da‑couve (Delia radicum): danos nas raízes e redução do vigor
  • Alticas (Phyllotreta spp.): perfurações nas folhas jovens
  • Pulgões (Aphididae): sucção de seiva e transmissão de viroses
  • Lagartas de noctuídeos (Noctuidae): desfolha parcial
  • Nemátodos das galhas (Meloidogyne spp.): deformações radiculares

6. Principais doenças

  • Hérnia / potra das crucíferas (Plasmodiophora brassicae): deformações radiculares e murchidão
  • Míldio (Hyaloperonospora parasitica): manchas cloróticas e esporulação na página inferior
  • Oídio (Erysiphe cruciferarum): revestimento branco nas folhas
  • Alternariose (Alternaria brassicae): manchas escuras concêntricas
  • Podridões radiculares associadas a solos encharcados

7. Gestão cultural geral

A gestão inclui a escolha de cultivares adaptadas ao uso pretendido (raiz ou folhas), sementeira em época adequada (outono‑inverno ou início da primavera), utilização de semente certificada e controlo de infestantes nas fases iniciais. A fertilização deve ser equilibrada, evitando excessos de azoto que favorecem o desenvolvimento vegetativo excessivo e a suscetibilidade a doenças. A rotação com culturas não crucíferas é essencial para prevenir hérnia‑das‑crucíferas e problemas de solo. A colheita é realizada quando as raízes atingem o calibre desejado, evitando atrasos que levam à lignificação.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Brassica spp.
  • CABI – Crop Protection Compendium – Brassica rapa
  • Gómez‑Cortecero, A., et al. (2019). Biology and management of diseases in Brassica crops. In: Integrated Brassica Crop Production. Springer
  • Rubatzky, V. E., & Yamaguchi, M. (2012). World Vegetables. Springer
  • Dixon, G. R. (2007). Vegetable Brassicas and Related Crucifers. CABI Publishing

 

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