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    Pennisetum glaucum

    1. Identificação e origem

    O massango ou milheto‑pérola [Pennisetum glaucum (L.) R.Br.], pertencente à família Poaceae, é um cereal de origem africana, com centro de domesticação na região do Sahel (Níger, Mali, Chade). É uma das culturas mais antigas do continente africano, adaptada a ambientes áridos e semiáridos. A espécie destaca‑se pela elevada tolerância à seca, altas temperaturas e solos pobres, sendo essencial para a segurança alimentar em regiões tropicais secas.

    2. Importância económica

    O milheto é utilizado na alimentação humana (farinhas, papas, pães, bebidas fermentadas), na alimentação animal (grão e forragem) e como cultura de cobertura. É fundamental em sistemas agrícolas de subsistência em África e Índia, mas também ganha importância em sistemas de produção resilientes às alterações climáticas. Os principais produtores incluem Índia, Níger, Nigéria, Mali, Burkina Faso e Sudão. O grão é rico em proteínas, fibras e minerais, sendo naturalmente isento de glúten.

    3. Caracterização botânica

    Planta anual, cespitosa, com 1–3 m de altura, colmos eretos e folhas longas e estreitas. A inflorescência é uma espiga cilíndrica e compacta, característica da espécie. As sementes são pequenas, esféricas, de coloração creme, amarela ou acinzentada. O sistema radicular é profundo e altamente eficiente na exploração de água e nutrientes, conferindo grande tolerância à seca.

    4. Exigências edafoclimáticas

    O milheto adapta‑se a climas quentes e secos, com temperaturas ideais entre 25–35 °C. Tolera precipitações reduzidas (300–600 mm/ano) e solos pobres, arenosos ou pedregosos. Prefere pH entre 5,5 e 7,0 e é mais tolerante à salinidade do que outros cereais. É uma cultura de ciclo curto (70–120 dias), adequada para regiões com estações de crescimento curtas ou irregulares.

    5. Principais pragas

    • Lagartas‑desfolhadoras (Noctuidae): Desfolha severa em plântulas e plantas jovens.
    • Mosca‑do‑milheto (Atherigona approximata): Danos no meristema apical, causando “coração morto”.
    • Afídeos (Sitobion avenae, Rhopalosiphum maidis): Sucção de seiva e transmissão de viroses.
    • Percevejos (Pentatomidae): Danos em panículas e grãos em formação.
    • Gorgulhos de armazenamento (Sitophilus spp.): Perdas pós‑colheita.
    • Nemátodos (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp.): Galhas radiculares e redução do vigor.

    6. Principais doenças

    • Míldio‑do‑milheto (Sclerospora graminicola): Uma das doenças mais graves, causando cloroses, deformações e esterilidade.
    • Ferrugem (Puccinia substriata var. indica): Pústulas foliares e redução da fotossíntese.
    • Carvão (Tolyposporium penicillariae): Substituição dos grãos por massas escuras de esporos.
    • Mancha foliar (Pyricularia grisea): Lesões elípticas e necroses.
    • Podridões radiculares (Fusarium spp., Rhizoctonia solani): Murchidão e morte de plântulas.
    • Vírus do mosaico (MMV): Mosaicos, cloroses e redução da produção.

    7. Gestão cultural geral

    Inclui a escolha de cultivares adaptados ao clima local, sementeira em solos bem drenados, rotação de culturas para reduzir pressão de doenças e nemátodos, controlo de infestantes nas fases iniciais e monitorização de lagartas e míldio. A adubação deve ser equilibrada, com foco em azoto e micronutrientes. A colheita é realizada quando as panículas apresentam grãos duros e secos, seguida de secagem adequada para evitar perdas no armazenamento.


    Referências bibliográficas

    • EPPO Global Database. Pennisetum glaucum – pests and diseases.
    • CABI Invasive Species Compendium. Pennisetum glaucum – datasheets.
    • Rai, K. N., et al. (2009). Pearl millet. In: Carena, M. J. (Ed.), Cereals. Springer.
    • Serba, D. D., & Yadav, R. S. (2016). Pearl millet genetics and genomics. Frontiers in Plant Science.
    • FAO (2018). Pearl Millet: Production and Utilization.

     

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