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Lens culinaris

1. Identificação e origem

A lentilha (Lens culinaris Medik.), pertencente à família Fabaceae, é uma das leguminosas cultivadas mais antigas, com origem na região do Crescente Fértil (Médio Oriente). Foi domesticada há mais de 8 000 anos e difundiu‑se posteriormente pela bacia mediterrânica, Ásia e Europa. É uma cultura anual, de ciclo curto, adaptada a ambientes semiáridos e solos pobres, sendo fundamental em sistemas agrícolas tradicionais.

2. Importância económica

A lentilha é uma importante fonte de proteína vegetal, fibras, ferro e micronutrientes, sendo amplamente consumida em todo o mundo. Os principais produtores incluem Canadá, Índia, Turquia, Austrália e Estados Unidos. O grão é utilizado em sopas, guisados, farinhas e produtos processados. A cultura é valorizada também pela sua capacidade de fixação biológica de azoto, contribuindo para a fertilidade do solo.

3. Caracterização botânica

Planta herbácea anual, de porte baixo (20–50 cm), com caules ramificados e folhas compostas paripenadas, terminando frequentemente em gavinhas rudimentares. As flores são pequenas, brancas, azuladas ou violáceas, agrupadas em inflorescências axilares. As vagens são curtas, contendo 1–2 sementes lenticulares, de cor variável (castanha, verde, amarela, vermelha). O sistema radicular é pivotante, com nódulos simbióticos de Rhizobium.

4. Exigências edafoclimáticas

A lentilha adapta‑se bem a climas temperados secos e regiões semiáridas, com temperaturas ideais entre 18–25 °C. Tolera geadas ligeiras no início do ciclo, mas é sensível a humidade excessiva e encharcamento. Prefere solos bem drenados, de textura média a leve, com pH entre 6,0 e 8,0. É uma cultura de baixa exigência hídrica, adequada a sistemas de sequeiro.

5. Principais pragas

  • Gorgulho‑das‑leguminosas (Bruchus lentis): perfurações e destruição das sementes.
  • Afídeos (Aphis craccivora, Acyrthosiphon pisum): sucção de seiva e transmissão de vírus.
  • Lagartas (Noctuidae): desfolha e danos em vagens.
  • Tripes (Thrips spp.): prateamento e redução do vigor.
  • Nemátodos (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp.): galhas radiculares e declínio da planta.

6. Principais doenças

  • Antracnose (Colletotrichum truncatum): lesões escuras em caules e vagens, podendo causar morte de plantas.
  • Murchidão por Fusarium (Fusarium oxysporum f. sp. lentis): amarelecimento e necrose vascular.
  • Oídio (Erysiphe spp.): revestimento branco nas folhas, comum em condições secas.
  • Ferrugem (Uromyces viciae‑fabae): pústulas alaranjadas e queda foliar.
  • Podridões radiculares (Rhizoctonia solani, Pythium spp.): damping‑off e murchidão em solos húmidos.

7. Gestão cultural geral

Inclui a escolha de variedades adaptadas ao clima local, sementeira em solos bem drenados, rotação de culturas com cereais para reduzir pressão de doenças e nemátodos, controlo de infestantes durante as primeiras fases de crescimento, adubação moderada e monitorização de pragas e doenças. A colheita deve ser realizada quando as vagens apresentam coloração castanha e as sementes atingem humidade adequada para armazenamento.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database. Lens culinaris – pests and diseases.
  • CABI Invasive Species Compendium. Lens culinaris – datasheets.
  • Erskine, W., et al. (2011). Lentil. In: Kole, C. (Ed.), Wild Crop Relatives. Springer.
  • Muehlbauer, F. J., & McPhee, K. (2005). Lentil. In: Singh, R. J. (Ed.), Genetic Resources, Chromosome Engineering, and Crop Improvement. CRC Press.
  • Saxena, M. C. (2009). Agronomy of lentils. In: Yadav, S. S., et al. (Eds.), Lentil: An Ancient Crop for Modern Times. Springer.

 

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